RODRIGO AMADO / MARCO FRANCO / GONÇALO ALMEIDA

Entrada gratuita mediante reserva prévia para info@outra.pt

Gonçalo Almeida (contrabaixo), Rodrigo Amado (saxofone) e Marco Franco (bateria) são músicos muito diferentes. O primeiro tem desenvolvido o seu percurso entre o jazzcore (nome que refere as pontes com o punk e o metal, casos dos grupos Albatre e Spinifex), o jazz de câmara (Lama) e a improvisação livre (colaborações, por exemplo, com Tobias Klein); o saxofonista é conhecido pelo seu free jazz com sólida matriz no hard bop, nas formas do Motion Trio, do Wire Quartet ou das suas associações a músicos como Joe McPhee, Kent Kessler e Chris Corsano; o baterista tem uma presença disseminada por várias frentes, do jazz “mainstream” (Rui Caetano Trio) ao rock “indie” (Memória de Peixe), passando por projectos caracterizados ora pela invulgaridade dos seus conceitos, como os Mikado Lab, ora pela abordagem experimental da improvisação, caso do seu duo com Nuno Rebelo.

A música de “The Attic”, registo discográfico do trio que surgiu no topo de muitas listas internacionais de melhores discos do ano, vai do introspectivo ao visceral, num leque de abordagens bem largo que conta, por um lado, com uma quase bucólica introdução de contrabaixo, em exploração de harmónicos, e pelo outro com explosões de energia sobrevoadas por um sax tenor em “stream-of-consciousness”. As variações de um extremo ao outro acontecem em minutos, nunca os desfechos sendo previsíveis. Os três músicos estavam em fogo, motivados pelo processo de descoberta de uma linguagem comum que tinham encetado, e a música – magnífica, arrebatadora – reflecte isso mesmo.

OUT.RA Música em Julho: Ka Baird & Louise Bock | Rodrigo Amado, Marco Franco & Gonçalo Almeida

Julho está a chegar, e com o calor vêm mais duas sessões de excelência no Barreiro. 
 
No sábado, dia 7, recebemos o trio de RODRIGO AMADO, MARCO FRANCO e GONÇALO ALMEIDA, representantes de mais alto nível do novo jazz nacional, cujo disco “The Attic” povoou praticamente todas as listas (nacionais e internacionais) de melhores lançamentos do ano em 2017. O concerto decorrerá em formato matinée (às 18h00), e realizar-se-á num dos terraços mais carismáticos do centro da cidade, com vista soberba e setting perfeito.
 
No sábado seguinte, dia 14, a ADAO – Associação Desenvolvimento Artes & Ofícios acolhe duas artistas de referência nas músicas exploratórias norte-americanas da última década: KA BAIRD e LOUISE BOCK, membros do colectivo SPIRES THAT IN THE SUNSET RISE, e que aqui apresentarão os seus trabalhos a solo, com edições aclamadas pela Drag City e Feeding Tube, respectivamente. 
 
O primeiro concerto é de entrada livre, mediante reserva prévia e obrigatória para o mail info@outra.pt, enquanto que os bilhetes para dia 14 têm o preço habitual de 5€ para o público em geral e 2,5€ para jovens até aos 25 anos. Podem ser adquiridos no Posto de Turismo do Barreiro, O Pial e Vitoriana Pub, ou reservados para o mesmo endereço de e-mail.
 
Até já!

Chris Corsano & Rodrigo Amado / Tom Carter

CHRIS CORSANO & RODRIGO AMADO

O que dizer de dois músicos que dispensam apresentações?

De Chris Corsano, que tivemos o privilégio de receber em Fevereiro, escrevemos na altura: “deste, muito já se disse, leu e escreveu, ressalvando de praticamente unânime a sua originalidade e a transversalidade do seu talento – um músico que, ainda acabado de chegar aos 40, na última década e meia se tem sentido à vontade tanto com gigantes históricos do jazz como com companheiros de rota de quadrantes totalmente diversos, como ainda ajudando a definir o novo psicadelismo free que tomou conta do mundo perto do início deste milénio”. Sobre Rodrigo Amado, autêntico porta-estandarte de uma das mais belas aventuras deste século – falamos do surgimento e crescimento de uma cena jazz nacional tão fértil quanto surpreendente – mencionamos apenas as palavras de Peter Gough, do site The Free Jazz Collective, que do saxofonista português diz “possuir a mesma química clarividente de Ornette Coleman”, a propósito do disco “This Is Our Language”, de 2015, no qual reúne junto de si Joe McPhee, Kent Kessler e, precisamente, Chris Corsano, e que foi amplamente – e dizemos amplamente no sentido de uma quase unanimidade – votado como dos melhores registos internacionais do ano que passou.

O que esperar então, deste encontro de dois músicos marcantes? Nada menos que alquimia, fogo e intuição, nas doses exactas – e um concerto para recordar.

TOM CARTER

Há já mais de uma década (mais precisamente por volta de 2003/2004), em plena fase de surgimento de uma presença mais marcada e marcante das outras músicas no panorama global, mergulhámos os ouvidos numa daquelas bandas das quais nunca se regressa inalterado: falamos dos Charalambides, à altura o duo de Tom e Christina Carter, ainda hoje merecedores do epíteto de criadores de alguma mais singular, honesta e estarrecedora música deste século ainda tão novo.

Senhor de uma das linguagens à guitarra mais marcantes e apaixonadas da música americana em terra de ninguém, Tom Carter tem vindo, ao longo de todos estes anos, a mostrar que a sua interpretação tão propriamente fantasmagórica dos blues e da folk (quase sempre através de uma guitarra a transbordar electricidade) se mantém como uma preciosidade,  como um bem raro e como sinal de que entre música e vida nem sempre é fácil traçar uma distinção. Um dos músicos que há mais anos sonhamos trazer ao Barreiro chega agora, finalmente, a um palco bem perto de nós.

Agenda OUT.RA para Setembro

Enquanto preparamos a divulgação do cartaz completo do 13º OUT.FEST (recordem os nomes já confirmados aqui), é com um sorriso rasgado que anunciamos a nossa programação regular OUT.RA Música para o mês de Setembro, repleta de nomes internacionais do mais alto gabarito e com a promessa de concertos inesquecíveis e o melhor dos aperitivos para o grande acontecimento de Outubro.

Assim, este mês vamos não uma mas duas vezes ao Velvet Be Jazz Club, primeiro, no dia 17, com o fantástico guitarrista norte-americano Chuck Johnson, um dos máximos expoentes do fingerpicking contemporâneo, acabado de lançar um fascinantes disco pela prestigiadíssima editora Three Lobed, bem secundado pelo projecto que junta o guitarrista barreirense Berlau (Fernando Ramalho) ao saxofonista A.M. Ramos.

Depois, a 24, um duplo concerto que se avizinha bombástico – com o lendário Tom Carter, guitarrista dos inigualáveis Charalambides e grande viajante psicadélico das 6 cordas eléctricas, e o regresso do prodigioso baterista Chris Corsano, desta vez em duo com Rodrigo Amado, saxofonista que é, cada vez mais, uma das figuras de proa do jazz europeu e máximo motivo de orgulho para a música nacional.

Para completar uma trilogia de sábados de eleição, a 1 de Outubro exibimos, em estreia nacional no Cine Clube do Barreiro, o filme “But the Word Dog Does not Bark”, que acompanha de perto uma das mais recentes tournées do Schlippenbach Trio, talvez uma das duas grandes formações da história do jazz europeu, e cujo concerto no OUT.FEST 2011 ainda perdurará por certo na nossa memória – e que melhor ocasião para ver este filme, que nos oferece ângulos privilegiados do labor de Alexander von Schlippenbach, Paul Lovens e Evan Parker,  do que em vésperas da actuação do trio deste último (a outra das duas grandes formações da história do jazz europeu) no OUT.FEST 2016?

Sim, prometemos um Setembro a um ritmo incrível, com alguma da melhor música do mundo – e depois, logo logo a seguir, mais um Outubro em modo OUT.FEST: imprevisível, surpreendente e fundamental.

No Barreiro, pois claro.

Até já!

HUGO ANTUNES / RODRIGO AMADO / LUÍS VICENTE / JOÃO LENCASTRE

“(…) Na estreia pública da associação de Amado, Vicente, Antunes e Lencastre o que ouvimos foi um free bop mercuriano e fulgurante, com sucessões formais de solos por parte dos dois sopradores e, ocasionalmente, do contrabaixista. E se a bateria de João Lencastre nunca ficou a sós, o certo é que teve um papel particularmente relevante, por meio de imaginativos e galvanizantes padrões rítmicos. Sempre com um foco estrito, explorando pequenas derivações dos motivos,(…) Hugo Antunes foi um soberbo exemplo de solidez e cola, mas os projectores estavam, naturalmente, virados para o que faria a inédita combinação do saxofonista tenor e do trompetista. Cada intervenção em primeiro plano de um queria suplantar a do anterior, incendiando a assistência. Depressa se verificaram as diferenças: Amado foi argumentativo e reflectido, e Vicente um solista emocional e até apaixonado, chegando a um visceral primarismo de expressão. Ou seja, complementaram-se magnificamente. (…)”

Crítica de Rui Eduardo Paes ao concerto de estreia do grupo no Teatro A Barraca (na jazz.pt)

Evento no Facebook.

Uma parceria OUT.RA / Velvet Be Jazz Club

OUT.RA Música: Junho e Julho no Barreiro

 

Olá a tod@s,

Junho assinala mais duas mensalidades OUT.RA Música: a 18, o Velvet Be Jazz Club acolhe uma das mais recentes formações regulares do jazz livre nacional, juntando o cada vez mais aclamado saxofone de Rodrigo Amado ao contrabaixo de Hugo Antunes, o trompete de Luís Vicente e a bateria de João Lencastre, e a 25 é a vez do Cine Clube do Barreiro acolher uma estreia europeia – o filme documental “REAK: Trance Music and Possession in West Java“, realizado pelo nómada Arrington de Dionyso, figura incontornável no underground norte-americano desde o início do século, quando o conhecemos como líder dos míticos Old Time Relijun e depois fomos dando conta das suas repetidas jornadas musicais pelo Extremo Oriente.

Ainda em Junho (também a 18) e com repetição em Julho (dia 2), o projecto Cidade Som: Exploradores Sonoros, desenvolvido em várias escolas do Barreiro ao longo do ano lectivo que agora termina, com o apoio da Fundação Jumbo para a Juventude, culmina com um Workshop / Passeio Sonoro na Mata da Machada, dirigido a pais e filhos curiosos pela descoberta dos Sons do quotidiano.

A 9 de Julho, e antes de assinalarmos a nossa pausa de Verão, regressamos com as Summer Night Sessions, em plena varanda do Tejo, na Avenida da Praia, com o fantástico Julinho da Concertina, músico cabo-verdeano que se prepara para lançar novo e muito aguardado álbum.

Vamos!